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16 dezembro, 2009


Como criar um curso SCORM

O desenvolvimento de um curso para eLearning é demasiado complexo para ser realizado por um formador com competências informáticas medianas. Estamos já numa fase de desenvolvimento, em que o conceptor e o formador podem ser uma única e mesma pessoa?
Pretende-se com este artigo exemplificar a construção de um curso SCORM utilizando uma ferramenta gratuita Web 2.0.


Introdução
No artigo anterior “O SCORM e a partilha de conteúdos” fizemos uma primeira abordagem sobre o que é o modelo de referência SCORM e algumas das preocupações a ter no desenvolvimento de objectos de aprendizagem e/ou cursos, respeitando estes standards. Este artigo destina-se a operacionalizar esses conceitos, através da concepção de um curso de formação a distancia.

Independentemente do tipo de produto que quiser produzir, um referencial de formação, uma unidade de formação de curta duração (UFCD) ou um Objecto de Aprendizagem, há várias fases que têm que ser cumpridas:
Planeamento – Definição da Macro-estrutura, elencagem dos conteúdos existentes e a desenvolver, definição do sistema de avaliação;
Concepção – Criação da estrutura, criação e adaptação de conteúdos e dos elementos de avaliação;
Avaliação – Do protótipo pela equipa conceptora (Alfa), por uma amostra de elementos com um perfil semelhante ao dos destinatários (Beta);
Disponibilização – Criação das versões adequadas ao sistema de distribuição.


Planeamento
O planeamento consiste na inventariação e a organização dos materiais que já possui e que vai reutilizar no curso a produzir. Se utilizar alguns conteúdos que não são seus, organize-os num ficheiro, com a referência à sua origem e ao tipo de permissão de utilização. Tente utilizar conteúdos com permissões Creative Commons e guarde uma cópia das permissões associadas ao ficheiro. Se o elemento que quer utilizar não tiver identificado o tipo de direito, contacte o autor e só o utilize com autorização expressa do mesmo.
Como criar um curso SCORM - Concepção

A concepção consiste na divisão do curso em pequenas unidades, que reunidas segundo uma ordem contextual e co-relacionadas (Macro-estrutura), permitem a aquisição das competências esperadas. A verificação da aquisição destas competências deverá ser efectuada através de mecanismos de avaliação no final de cada módulo.
A definição da Macro-estrutura pode ser realizada manualmente sob a forma de gráfico ou recorrendo a programas de mapas de ideias. Estes programas podem ser uma grande ajuda, pois permitem não só estruturar o curso, como representar as inter-relações entre os diversos componentes e introduzir informação acessória como: o nome dos seus documentos correspondentes aos conteúdos, links para elementos externos utilizados, sites com informações complementares. A imagem abaixo, é o exemplo de uma Macro-estrutura, criada com o programa gratuito FreeMind (ver caixa links). Nela vemos a estrutura do curso, organizada segundo um construção modular. O módulo dois encontra-se expandido podendo-se assim ver os sub-módulos que o constituem, bem como os documentos que lhe estão associados.



Como boa prática, para além da criação da Macro-estrutura, formate os textos em documentos Word com as mesmas características, usando um sistema de capítulos para melhor identificar os conteúdos.
Neste artigo vamos utilizar o serviço Udutu, que permite desenvolver cursos online de forma gratuita. Para alem do desenvolvimento, permite o alojamento e realização dos cursos directamente nos seus servidores por um preço bastante apelativo. Comece por aceder à página do udutu, www.udutu.com e faça o seu registo. Após ter efectuado o registo, aceda ao site e autentique-se clicando no botão “use my Udutu for FREE now”. Acede assim ao interface da aplicação.
Workspace – Separador que permite a criação de cursos, editá-los e definir a forma de distribuição;
Library – Separador que permite a pesquisa e o upload de conteúdos;
Administration – Separador que permite a edição das características da conta, a customização do interface do curso, consultar as várias versões de produção.



1 -
Crie o seu curso atribuindo-lhe um nome, clicando no botão “create new course;
2 - Após a criação do curso clique sobre o nome dele.

Acede automaticamente à página de autoria, Preencha o campo de descrição do curso.

1 -
Páginas de texto e/ou imagem;
2 - Páginas para avaliação;
3 - Páginas com funções avançadas;
4 - Módulos;
5 - Glossário;

1 - Adicione uma página que será a de entrada, clicando no botão “basic screen”.

Automaticamente surge o ecrã correspondente à página de introdução. Aqui deverá ser feito: o acolhimento, a introdução do formando na acção de formação, as regras existentes para a mesma, a explicitação do sistema de avaliação e informações sobre a navegação no curso.
Este é o interface da página de introdução.





1 -
Seleccione o layout mais adequado ao que pretende;
2 - Escreva o nome da página;
3 - O preenchimento do campo descrição é essencial para os programas interpretadores usados por pessoas com deficiências da visão e funções relacionadas;
4 - Na área de conteúdos, de texto ou imagem, aparece automaticamente uma caixa de edição quando passa o rato numa das áreas, clique no botão “add” na área do texto.

Automaticamente abre a janela de edição de conteúdos, é aqui que formata todos os conteúdos da página que estiver a editar. A janela de edição tem um interface baseado em acções através de botões, semelhante aos dos programas do tipo Office. Os conteúdos podem ser inseridos manualmente ou carregados a partir da biblioteca, para tal, basta posicionar o rato sobre o rectângulo verde ao lado do tipo de conteúdo que queremos colocar.



5 -
Cole o conteúdo de texto com o botão “paste plain text”;
6 - Valide as alterações efectuadas no botão “save”;
7 - Regressando à pagina Introdução (página anterior), grave as alterações clicando no botão “save”;
8 - No final, na estrutura do curso, arraste a página Introdução para a posição correcta, entre o nome do curso e o primeiro módulo.

Construa a estrutura do curso sem se preocupar com o tipo de página associada, tendo já uma base de trabalho construída, não se vai dispersar quando estiver a carregar os conteúdos. Comece por adicionar os módulos seguindo este procedimento.



1 - Seleccione sempre o nome do curso, dessa forma garante a criação dos módulos no local correcto;
2 - Clique no botão “group” para criar um módulo.



1 -
Seleccione o módulo clicando sobre ele na estrutura do curso;
2 - Atribua-lhe o nome;
3 - Valide a alteração clicando no botão “save”.


Para adicionar páginas de conteúdos aos módulos, proceda como fez para a criação da página Introdução. Comece por seleccionar o módulo onde quer criar a página e clique no botão “basic screen”. Seguidamente o processo é o mesmo, com a página seleccionada basta seleccionar o layout e atribuir-lhe o nome. Construa a sua estrutura adequada ao seu próprio curso.

Para expandir um módulo basta clicar no sinal [+];
Para mover uma página ou um módulo basta seleccionar e arrastar para o local de destino;
Para eliminar uma página basta seleccioná-la, clicar no botão “delete” e na janela que aparece automaticamente validar a operação escrevendo “DELETE”.

No final de cada módulo, se este for muito extenso e tiver muitos conteúdos, deverá elaborar uma síntese, seguida da avaliação; se não for esse o caso, pode introduzir imediatamente a avaliação.


Exemplo de exercício de avaliação, de colocação por ordem cronológica.

1 - Tipo de exercício de avaliação;
2 - Nome da página;
3 - Instruções;
4 - Operações por ordem cronológica;
5 - Tipos de feedback;
6 - Tradução dos botões;
7 - Narração.

OPÇÕES AVANÇADAS:
1 - Para não correr o risco de levar código html para as páginas de conteúdos, copie o texto do Word para o Bloco de Notas (PC) ou o TextEdit(Mac), volte a copiá-lo do Bloco de Notas e colar desta vez na janela de edição de conteúdos do UDUTU;
2 - Para não ter que fazer upload de cada vez que quer inserir conteúdos, carregue-os previamente através da Library;
3 - Para optimizar as imagens reduza o tamanho para os tamanhos fixos dos layouts pré-definidos. Pode fazê-lo online gratuitamente no site resizr, para tal veja o tutorial disponível na caixa links úteis.

- 448x336 px
- 448x280 px
- 900x360 px
- 448x240 px
- 900x515px

4 -
Se quiser adicionar narrações ou outros sons, use o programa gratuito Audacity, Tem um tutorial sobre o processo na Formar n.º 58 ou online na caixa links.
5 - Se pretender adicionar videos, coloque-os no youtube e embeba o código disponibilizado na janela de edição de conteúdos do UDUTU em modo html.
Como criar um curso SCORM - Avaliação do protótipo

Após ter terminado a fase de concepção, há duas fases de testes, a primeira, a Fase ALFA, deve ser realizada pela equipa que produziu o curso, se foi uma única pessoa, crie afastamento em relação ao produto não trabalhando nele alguns dias e depois realize-o como se o estivesse a frequentar pela primeira vez. Após este primeiro momento de avaliação, são introduzidas as correcções e alterações necessárias. A segunda fase, a Fase BETA, deve ser realizada por elementos com perfil idêntico aos dos formandos destinatários do curso. Estes devem ser previamente avisados acerca da função que vão desempenhar. Poderá também criar uma ficha tipo para anotarem as anomalias e dificuldades de compreensão ou de prossecução. Após esta fase são analisados os contributos e decididas quais as alterações a serem efectuadas.
Como criar um curso SCORM - Disponibilização

Após a concepção e avaliação do curso, este fica disponível para download de forma comprimida (.zip) para que possa ser disponibilizado de várias formas: Numa plataforma LMS, num CD-Rom, num servidor sob a forma de site. Para utilizar a possibilidade de monitorização da progressão dos formandos num curso e das respectivas avaliações, tirando partido do modelo de referência SCORM, terá que utilizar uma plataforma de formação que seja compatível com este modelo.
O separador distribute permite configurar o tipo de disponibilização.




1 -
Separador distribute;
2 - Contratar o serviço de alojamento do curso nos servidores UDUTU;
3 - Criar uma versão de demonstração online;
4 - Efectuar o download do curso zipado.

Para ser usado numa plataforma LMS, é feito o upload do ficheiro zipado e é a plataforma que através de uma actividade SCORM ou de um curso SCORM faz as configurações necessárias ao correcto funcionamento do curso.
Se desejar distribuir o curso num CD-Rom, basta descomprimir, transferir os ficheiros resultantes para um programa de gravação e neste, definir o ficheiro Launch.html como ficheiro de arranque. Para este efeito, pode usar o programa gratuito CDBurnerXP.

Final
Com a constante evolução do conhecimento e as alterações aos sistemas de ensino/formação, um produto realizado hoje poderá estar ligeiramente desajustado amanhã. Não espere para produzir um curso “perfeito”, o importante é concebê-lo da melhor forma que estiver ao seu alcance. O melhor curso é aquele que é produzido. Visualize um curso produzido no UDUTU através a caixa de links úteis.
Consulte os tutoriais em vídeo do UDUTU para explorar outras funcionalidades que não puderam ser aqui exemplificadas.
Como criar um curso SCORM - Glossário

CD-ROM – Compact Disc Read-Only Memory, Disco Compacto - Memória Somente de Leitura, podem armazenar qualquer tipo de conteúdo, desde dados genéricos, video e áudio, ou mesmo conteúdo misto. Os leitores de áudio normais, só podem interpretar um CD-ROM, caso este contenha áudio.
Download – Transferência de dados de um computador remoto para um computador local;
Feedback – procedimento que consiste no provimento de informação à uma pessoa sobre o desempenho, conduta ou eventualidade executada por ela e objetiva reprimir, reorientar e/ou estimular uma ou mais ações determinadas, executadas anteriormente.
Html – Linguagem de programação de páginas da internet;
Interface - Uma ou mais ferramentas para o uso e movimentação de qualquer sistema de informações, seja ele material, seja ele virtual.
Layout – Distribuição física, tamanhos e pesos de elementos como texto, gráficos ou figuras num determinado espaço.
Link ou Hiperlink – Referência num documento a outro documento;
LMS – Learning Management System, plataforma eLearning, disponibiliza uma série de recursos, síncronos e assíncronos, que dão suporte ao processo deaprendizagem, permitindo seu planejamento, implementação e avaliação.
Online – Estar ligado a um conteúdo disponível na internet;
SCORM – Sharable Content Object Reference Model, colecção de padrões e especificações para eLearning baseado na web;
Tutorial - Programas ou textos que ensinam passo a passo como determinada coisa funciona.
Upload – Transferência de dados de um computador local para um servidor.
Como criar um curso SCORM - Links úteis

CDBurnerXP
FreeMind
Resizr
Resizr tutorial
Revista Formar N.º 58
Udutu
Udutu exemplo de curso
Udutu tutoriais
Creative Commons
Artigo sobre Creative Commons

20 julho, 2009


O SCORM e a partilha de conteúdos

Neste momento, com a digitalização de conteúdos, podemos afirmar que o conhecimento está ao alcance de toda a população com acesso à internet, mas será mesmo assim? Para além da questão da democratização da informação, haverá de facto conhecimento disponível de forma estruturada, reconhecido no âmbito de sistemas nacionais ou globais que possam ser consultados e reutilizados?
São vários os países que tomaram consciência da importância de uma politica económica relativa aos objectos de aprendizagem. Como base de entendimento e garantia de transferibilidade foi adoptado o modelo de partilha de conteúdos SCORM.


Origem do modelo de referencia de partilha de conteúdos SCORM
O SCORM (Sharable Content Object Reference Model) é uma especificação técnica, constituída por um conjunto de standards técnicos desenvolvidos por várias entidades. Estes standards definem como os objectos de aprendizagem devem ser codificados para que funcionem em outros programas de eLearning. Respeitando esta especificação, há a garantia de que os objectos produzidos comunicam eficientemente com as plataformas de formação, LMS (Learning Managment Systems).
Foi desenvolvido pela ADL (Advanced Distributed Learning Iniciative) que em 1997 recebeu do Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América, a incumbência de desenvolver uma estratégia eficaz de gestão da educação e formação baseada em ferramentas tecnológicas.
Desde 2000 teve várias versões. A maior parte das plataformas LMS são compatíveis com a versão SCORM 1.2, estando progressivamente a implementar a versão mais recente a SCORM 1.3, também denominada de SCORM 2004.


Objectivo da especificação técnica SCORM
O SCORM tem como objectivos:
• Facilitar a acessibilidade aos materiais já desenvolvidos através de um sistema de indexação definido;
• Garantir a sua interoperabilidade de forma a que possam ser utilizados nas diferentes plataformas de formação;
• Reutilizar materiais já existentes de forma fácil e ágil permitindo uma economia de escala no desenvolvimento de cursos de formação.

Qual a sua estrutura
Neste momento, o SCORM é constituído por 3 partes: Content Aggregation Model (CAM), Sequencing and Navigation e Run Time Environment (RTE), designadas por livros.


Content Aggregation Model – Livro que contém o processo de criação, a descrição e o agrupamento de objectos de aprendizagem na estrutura do curso;
Sequencing and Navigation – Define as acções a tomar quando um objecto de aprendizagem é seleccionado ou ignorado durante a utilização do curso pelo formando;
Runtime Environment – Define como o objecto é aberto pela plataforma. Permite também que a actividade seja registada e que os dados daí resultantes possam ser tratados.

Partes constituintes de um curso eLearning
Um curso de formação eLearning é o conjunto de todas as suas partes constituintes, organizadas de forma a que sirvam o objectivo a que se destina, através de metodologias adaptadas. O exemplo seguinte pretende estabelecer a analogia entre um modelo de estrutura genérico e o modelo de organização dos referenciais de formação, no âmbito do Sistema Nacional de Qualificação.


Os documentos podem ser de qualquer tipo: texto, imagem, som, vídeo. Os objectos de aprendizagem (SCOs – Sharable Content Objects), são recursos electrónicos que não necessitam de alteração ou actualizações e são independentes do desenvolvimento dos sistemas tecnológicos. São as unidades de conhecimento mais estáveis e facilmente utilizados em plataformas SCORM compatíveis. Podem ser utilizados em diferentes cursos. Para isso, na sua concepção deve ser garantido que os objectos devem ser pequenos e independentes do contexto formativo.
A identificação destes objectos é feita através da descrição dos seus conteúdos. Esta descrição, ou meta-data, está padronizada, o que torna mais fácil a sua pesquisa nos diferentes repositórios de conteúdos. Deve estar também indicado o autor e qual o tipo de licença de utilização associada.
Quanto mais complexos forem os objectos de aprendizagem, mais especializados eles são e menos possibilidades têm de serem reutilizados noutras Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD).
A probabilidade de reutilização de UFCD’s nas várias componentes de formação vão diminuindo, à medida que o contexto vai aumentando.
As diversas componentes de formação que variam com a modalidade de formação, contêm todos os elementos anteriores e são peças constituintes dos Referenciais de Formação Profissional.
O SCORM e a partilha de conteúdos - Como estruturar um curso eLearning

Organização da informação - O primeiro passo na construção de um curso eLearning, partindo do princípio que possui domínio técnico e científico sobre o assunto bem como experiência pedagógica, é a inventariação de toda a documentação que já possui. Separe os que são seus e identifique os autores dos restantes. Infelizmente é comum a utilização de documentação não proprietária sem autorização do autor para o efeito. Há neste momento vários repositórios de documentação, em que os autores indicam a forma como disponibilizam as suas obras através de licenças Creative Commons. No caso do documento não possuir informação relativamente à forma como pode ser utilizado, contacte o autor, explique a finalidade e peça autorização de utilização e adaptação dos conteúdos.
Todos os elementos utilizados devem ser referenciados. Deve criar um arquivo, onde guarde não só os documentos e o endereço do site onde os obteve, bem como uma impressão em papel da página do site e o tipo de licença que lhe está associada.
Definição da Macro-estrutura – Deve representar o curso através de um esquema ou mapa, onde defina as hierarquias bem com as interacções entre os diferentes conteúdos. As nomenclaturas utilizadas para os diferentes níveis hierárquicos podem mudar em função do sistema de formação, da organização ou do cliente. A título de exemplo, vou utilizar uma nomenclatura o mais próxima possível do sistema anteriormente apresentado.



Os elementos essenciais da página de entrada são a apresentação da acção, os objectivos gerais e específicos e o sistema de avaliação. A apresentação da acção pode ter para além da forma escrita, o formato vídeo para que dessa forma, o formando se identifique com o coordenador da mesma.



A hierarquia Componente de Formação deve enunciar o objectivo geral bem como os objectivos específicos dos módulos (UFCD) que a constituem. Estes objectivos têm que estar por escrito, podendo também ser acompanhados por um vídeo do(s) formador(es).


O primeiro módulo deve ter alguns elementos particulares: um tutorial, com instruções sobre o funcionamento do curso e sobre o interface da plataforma; normas de conduta em relação aos outros formandos e explicação do tipo de interacções, ligações para programas de instalação obrigatória para o correcto funcionamento do curso.


Os módulos seguintes deverão ter: introdução, com a enunciação dos objectivos específicos; conteúdos referentes ao módulo; demonstrações sempre que necessário; síntese dos conteúdos e avaliação, e sempre que possível, com feedback imediato e avaliação nos seus diferentes tipos.


No desenvolvimento de um curso eLearning, a primeira forma dos conteúdos deve ser a de texto, não só porque é a mais preponderante no produto final, mas também porque serve de base de trabalho aos elementos multimédia a desenvolver.
Após os conteúdos sob a forma de texto estarem concluídos, há que seleccionar quais vão ser ilustrados ou substituídos por outros formatos, como imagens, vídeos, aúdio elementos interactivos. Convém criar um sistema de codificação que mais facilmente permita identificar os trechos de texto com os produtos a que deu origem.




Depois de definidos os conteúdos e a forma como vão ser trabalhados, há que estabelecer as regras para que o desenvolvimento seja coerente. Deve ser criada uma linha gráfica em que se definem os atributos do texto, os tipos de letra, os tamanhos em função da importância dos conteúdos, os estilos e, em que circunstâncias devem ser utilizados.


Os elementos como imagens e vídeos devem ser uniformes entre eles, não só em relação ao seu aspecto gráfico, como também em relação ao seu tamanho, posicionamento e inter-relacionamento com os outros elementos circundantes.
A natureza dos elementos deverá ser preferencialmente a mesma. A utilização de vários formatos de vídeo diferentes aumenta a probabilidade do formando não conseguir visualizar o conteúdo.
Todos os elementos utilizados devem ser proprietários, gratuitos, utilizados com licença escrita do autor ou disponibilizados pela licença Creative Commons. Todas as partes que constituem um curso devem possuir um registo num documento que identifique a proveniência, o tipo de licença, bem como os documentos necessários para provar o direito à utilização. Este cuidado é muitas vezes descurado, mas este tipo de registo é também útil para conseguir identificar a origem de um determinado conteúdo noutras circunstâncias.



Como desenvolver um curso SCORM

O desenvolvimento de conteúdos SCORM pode ser realizado de 2 formas diferentes, criando os objectos de aprendizagem a partir de documentos que já existam usando um programa de Packaging ou desenvolver o conteúdo e criar os objectos de raiz num programa de Authoring and Packaging. São já bastantes os programas de autor para desenvolvimento de objectos de aprendizagem e cursos SCORM, para além da oferta comercial há também alternativas gratuitas, soluções Open Source com menos funcionalidades que as comerciais, mas uma boa opção para iniciar o desenvolvimento dos próprios conteúdos.


Pretendeu-se com este artigo explicar o modelo de referencia de partilha e conteúdos SCORM e fazer uma primeira abordagem à estruturação de um curso eLearning.
No próximo número da revista Formar, iremos exemplificar a construção de um objecto de aprendizagem usando uma das ferramentas de autor gratuita.